sábado, 14 de julho de 2012

Luzes Apagadas

Te sujarei de cores primárias
Quero que te faças coisa lembrada
Criatura sobrevivente do meu tempo
Sem renúncias e armaduras.
Distantes e distintos de marcas fartas
Enfartando-nos somente com corpos preenchendo o quadrado
Neste elo dois corpos descansam no mesmo espaço
Sendo um, zumbis, enfeitiçados, caracóis calados.
Luzes acesas dizem centenas de coisas
Não é o que precisamos neste momento inenarrável sem hora
Desenhado de honra preliminar.
Marcas esgotáveis passeiam em carroças
E se vão para as roças
Ou tomarem banho em lamas da cidade.
A esperança quitou os óculos
O manequim se vestiu de retalhos quando o poeta deixou de apontar os lápis
Calçados na modernidade de um século enfermo aventurando em si próprio
Sem se educar desde o princípio
Encontro você, veementemente aflito e decorado
As luzes apagadas não dizem
Impõem as cores
Nada declaram.
O luxo é um vaga lume que se aposentou  para a presença confrontada de seres amantes.
Apagadas
Luzes
Acesas
Cores.

Pequena Fruta

És do jardim prometido
Beleza rara profunda concebida ao meu instinto
Crescente em terras férteis de paz límpida
Arrisco-me à trivialidades por teu desdenho
Quando te acercas faço-me dengoso, assim, para que me banhes com teu mel
Desde que compareci a este cenário de uma peça desconhecida buscava por rotas
Tréguas jamais foram concedidas
Desviei caminhos outrores
Em passos largos complacentes, inundado de gente
Nada eras tu.
Provei de frutas deste mundo, mas alguma não concedia seu sabor jovem
Velhacas e terrenas de terrenos infertéis
Crescentes de modernidades
Apareceste tu, despida de fardos e cacos
Descalça
Castanha
Rara
Pequena fruta de sonhos vegetais, saborosa como o cair da tarde
Sem qualquer alarde
Atrai
Raparigas e rapazes
Margaridas e selvagens
Invada-me,  cala-me, fala-me tuas línguas
Inventa-nos verdades malabares.
Sujeitos a voar escondiDINHOs pelos ares.

domingo, 8 de julho de 2012

Palavras Confortáveis de uma Boca Feroz.

A boca se faz do rumo das ruínas roedoras.
Os beijos são reflexos do encontro de outra metade própria, nunca jamais encontrada, sempre, persuadida.
O enlace se consagra em diálogos interiores, um certo monólogo, para uma vasta compreensão, do que ser, de onde estar, de como possuir, para como aprender a abandonar.
Neste acontecimento, desta época onde sou consciente dos desejos, o ambiente provoca os lábios
O faz articular de acordo com suas regras, sejam maliciosas ou governantes
À passageiros ou amantes.
Lábios mestiços de inúmeras origens, mesclados, marinheiros, malucos molhados. A história se resume no diário perfeito, nada cabível com as horas corriqueiras, todos correm das palavras malabares.
Mas saber fidelidade é reconhecer que a verdade se encontra mergulhada na boca.
Conhecer mentira é selar um acordo com os ouvidos, a verdade ouvida purificada, se tornar restrita, fazer a mentira saltar da boca como um quebra cabeça.
Os bens escrevem a quem. Receptores de como qualquer que seja.
Palavras voam e chegam como tempestade, depois que o bem deixa de ser o bem amado. Por esta razão os ossos estremecem, o coração para e anuncia morte. Depois de noites mal vividas, a boca ressuscita. Os lábios gesticulam, todavia trêmulos, mas pedintes de carne humana, profana.
Não somente o amor, mas o tambor cotidiano provoca letra por letra, que ao final se fraseiam, e ferem saltando de uma fera ferida. Se estende o tapete vermelho, e o diabo cumprimenta seus tentadores.
Fala, Morde, Assopra, Assobia, Grita, Sussurra, Sussurra, Sussurra. Soa como falsidade, ou como ternura, dependente a quem por quem.
O imperador é um animal que aprendeu a falar.
O amante é o humano aprendiz de palavras verídicas.
Boca é porta de saída do inferno.
Palavras confortáveis cuidam. Palavras confortáveis de uma boca feroz queimam e ensinam a longo prazo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A crônica da Cabana.


Meus olhos se escondem na cabana. E perguntará você, onde se encontra a cabana?
Não podes saber, pois certamente não sei por onde vago, ou se pertenço ao espaço terreno onde habitas junto aos infiéis.
Sinceramente, a sinceridade deixou de ser sincera, enquanto a verdade deixou de ser severa, e nesse ciclo o olhar se martirizou, fornecendo-nos sua amargura, e caladamente os jardins se fecham. Seja o do Éden, seja qualquer outro, sem flores e outros animais.
Encontraste-me passeando, divagando sobre poesias empobrecidas, nada jamais no passado interessou-te, o perdão foi corroendo em si próprio, eu humano animal não poderia recriar mais, o esgotamento se fez em esgoto, onde me banhei, mesmo estando na cama, na rua, ou sentado no sofá absorvendo a solidão televisiva.
Neste momento o tratamento se converte em lhe, pois não posso mais referir-me a ti com demasiada intimidade, levou-me estranhamente por horas semanais, assim acostumei-me, e as horas não se convertem, correm, correm e correm inimigas do passado, mas presentes na lembrança do ontem.  As frases se preenchem de não, não se pode, não se refaz, não mortalmente vivo não, nunca quis que o oceano encaminhasse assim, desta maneira cruelmente pretensioso de lágrimas.  A balança desequilibrou-se , a mulher bebeu a justiça. Embriaguei-me de pensamentos decorosos,  loucamente sensatos, agora comerei um prato frio para agradar a alma, mantê-la na calma. E questiono a ti, todavia forneces alimento a tua alma?
Nunca conheceste o tempo, o vivemos, o passamos sem obedecer a sua glória. Jamais quis curar-me de certos momentos, pois agora vivo o tempo da razão, e de tanto muito vivido a paciência invadiu-me, e fui fortemente reerguendo os dedos para massagear ombros meus, aconchegar-me, sem machucar-me. 
E se o mundo acabar estarei preso na caverna das indagações , conhecendo a mim sem amor, cuidando os passos sem rancor, amamentando a mente em paciência. E se um dia compreenderes na calma, chame a mim para um passeio, mas para falar-me sobre tua nova alma, espero que dançante, aprendiz de saber o amor.
Aguardo as energias do mundo para que penetrem em meus olhos. Olhos por dizerem.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Quero passear no Céu.

Depois da calmaria pisarei neste terreno longínquo
Não saberei suas rotas
Abrirei certas portas, mas sem onde chegar
Os pés caminham sobre o horizonte e a alma segue galopante
Viajando no elo entre exatidão e serenidade
Vanguarda de decisões promissoras, mas que agora se liberta
se brinca, se deixa acontecer neste certo espaço incerto, onde não conheço
Onde passo a não ser eu, mas o encontro do que poderia ser eu.
Nascente, preparando para ser criado
 e tudo puramente decorado
Com tuas cores primordiais, teus sinos, e frutas, flutuantes
Frutíferas por serem venenosas, mas que merecem e pedem por serem mordidas
A vida precisa nascer, mas reformulado, agora, a fruta devorada
 Sem piedade, nascerá eu, nascerá outros, e também a morte.
Ouço cantigas, canto de vozes jamais ouvidas, vozes pequenas e articuladas
Homens mulheres pequenos e sem sexo, mas homens, mas mulheres, mas crianças
decorosos e decorantes, preenchendo o espaço colorado.
Cantam. Fazem cantar.
Minhas mãos se tornam joviais, minha face se refaz do banho celestial
Depois de dançar, descansar remete a alívio, sem frio, sem tempo
Sem qualquer lembrança. O passeio conduz, e permaneço no céu.
Contém equilíbrio para a toda a fonte de esperança.
Refaço, redesenho, redescubro, reinvento, refascino
Do Re se refaz, se revolta. A conversão se faz, e o pensar jamais volta a aniquilar
Aprendi a ser qualquer coisa além de mim, pois se há outro
Sou o outro e aprendo
Que não sou umbigo, sou o dedo, de um grande homem.
Continuarei, quero passear no céu
Mas sem ter hora para voltar.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Pois se Foi.

Se não fala
Não falarei
Fico sem alimento
Não me inundarei
Provarei da deslei
E se cair, sei não se tentarei
O beijo se foi
O Abraço se propôs
o Adeus é final de programa
porque não teve arroz
Fica pra depois, coisas do amor
Nada de amargura, sem pensar em armadura
O romance é pra brincar
 Se acabar, tudo levará
Deus dirá quanto custará
É que volta, vira poeminha
para eu fazer uma ceninha
Volte para teu amante
Seguirei galopante na estrada férrea dos elegantes
Todo cantante
Pois se foi.

O Beijo da Menina Brilhante

Cabelos de mel travessos e brincantes com o vento
marcam sua estadia.
E ela sentada brilhantemente na cadeira azul, e a cadeira é o mundo
Mundo de gestos e suspiração
Para ela
Inteiramente ela exposta e tão menina sem crescer.
Quanta suavidade em olhos pequenos dourados. convictos
e mirantes das mãos, enamorados de si.
Tímida. Um tanto completamente, mas é seu charme confortante
Que ela é somente si, várias de ela.
Moça mortalmente fatal
Pequena e estátua
É de beleza sutil, de pele creme de seda
como um sorvete, que o ser não resiste
mas a mocinha não se permite por tão pouco.
Ela é grande de coração
É feroz, corre riscos, risca a palavra arrependida
reescreve o bilhete e envia com puro amor inventado
sem cautelas, porque é ela, e ela é dançante.
O beijo da menina brilhante encantará os desistentes
Apaziguará os descrentes
e despertará paixões inexoráveis.
A mulher de brilho é Céu, é Terra, é Mar, e termina por ser Fogo.
E digo
"És o equilíbrio da paz para a terra seguir pulsando.

domingo, 10 de junho de 2012

O Homem.

O homem de fome passeava livremente com seu cachorro. Cachorro!
Homem paspalho de mãos bárbaras e pés calçados de concreto e de pouco teto. Dentes quebradiços do espelho alfa, se rompeu, se quebrou e apodrece sem pedir licença, por tempo.
Tempo, termo, temperatura e nada quase pouca nula ternura.
Esse homem é inocente, cheio de indolente, de olhos carentes e mínimos, brancos e ensanguentados. Olhou  e a visão ardeu e perdeu a beleza, nasce a pobreza, sem sobremesa, grandiosa. Possuidora.
Velho homem e seu cachorro. Companheiros de bueiro!
Senhor Homem comendo o chão, comendo a lama e devorando o asfalto. Homem vazio sentinte de perigo. Estralhaça a embalagem do capital, mergulha por entre os dentes e surpreende a língua, gozante do sabor apresentado. O Homem se representa, mas não se orienta.
Se morde e é canibal. Come suas mãos, seus pés, seus órgãos, tudo em devaneio, tudo o mês inteiro. E O Homem se deita, se geme e não se quer ser O Homem.
O Homem sabe que é problema. Verme urbano que brotou, brotado do mato, do espaço ou da favela. Não. Favela não. Periferia. Alegria do povo pobre, pobre povo oprimido, proibido do castigo, povo castigo do mundo, povo sem alívio, irmãos do Homem, seu caro amigo.
Pré-Histórico Homem, sobrevivente da terra revolução. Tesouro maldito de uma outra era. O Homem e seu Cachorro. Cachorro do Homem que não sabe aonde vai, se vai, se chega, se rouba ou se cheira. Cheira seus braços, as palmas da mão, cheira pó, cheira flor, cheira a rua esgotante do esgoto. Lugar onde brotavive, se permite, se delira e dorme sem dormir. Sem sonhar.
Ama. Quer amar! Ama seu país e seus slogans modernos, suas promessas, seus remédios livres e sua orgia exposta em todo e qualquer beco. A orgia move, faz nascer verdinhas através de orgias.
"Orgia é boa, viva a orgia. O Homem. A Mulher. Os Pequenos. Todos para o Sexo, sinta sem Nexo"
Vida é inconstante e não se chama vida, para tal nada é por acaso, tudo é pensado, é estratégia de boca de sapo, e é preguiçoso, se espreguiça. Preguiça Social. Trabalhador de golear, se nada rolar, por que não golear?
E se um prato alimentar hoje, do que amanhã virá? Sem pensar, não se pode pensar. A surpresa é repentina, um presente de gregos e de homens pequenos. Mas será bom, uma pratinha compra um dente, somente um dente é pra ser feliz, nada, nada mais.
A dor caçoa do Homem. Mas a dor mata o seu Cachorro, que alvoroço! Se o Cachorro morre o homem não terá amigos, o Homem morrerá, pobre. Ele ressuscitará, assim como a sua crença, ele também pode ressuscitar, ser herói e será famoso. O Homem é foto, fotografia de outdoor social, de comoção para lágrimas de sal, de crocodilos. Temem o país e o Problema Homem!
Quase tudo é conversa de bar, desabafo sem cessar, blá, blé, bló, blu, goles e mais goles de louras geladas, de morenas quentes, de cancerianas calvas, ou de mexicanas selvagens. Tudo se bebe, mas para passar a dor do homem, senão ele não trabalha, não maquina, não é espantalho.
Aliás, o Homem é espantalho. Abriga olhos passageiros, pombos corriqueiros, governantes travesseiros. É obra de arte genial. Gênio, grande por ser somente andarino.
De tanto andar o pé dói, crosteia e não caminhará mais. A estrada é longa e as pedras são quase invisíveis, mas são formadoras de opinião, de todo o colapso cotidiano.
O Homem é poeta. Ninguém compreende o que ele diz. É neologista. É pensante. De muita pouca maldade, de inúmeras viagens, de imensa cor, cor preta, cor marrom. Corpo nu de escultura diária.
Se o Homem morre,
Morre o país
Cai o nobre
Sobra pó, e toda a vida se desfaz do nó.
Grande criação bocó!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Aurebela la la la.

Casinha cansante de careteria pouquissíma gentinha.
Povo deladerado de minutos farroupados. Roubam, se roubam, estremecem
Partem para a brigaria, mas morrerão de melancolia.
Pobre magicaria, coisa de esquina.
O trato é tratante e trata de tratos e de corações tratores
Arrebanhadores
Que se acolhem
Não quererão saber de dores. Louvores! Dolores. Calores. Provedores. Sentimentadores.
A gente se olhará, se arremetará.
A gente se pensará e se escreverá. Tudinho para o tempo passar.
Vai chegar a hora d'alma banhar
Será uma grande descoberta.
Olhe! Face da terra.
Ovelhas pelas avenidas e tanta outra gente paradeira
Escondentes da luz. Observando a sujeira sem balancar a janela.
Todo anjano é defeitruoso.
É amor. É amantidade.
Falhadades
Coisa de gente
Que se ama
Se estranha
Se integraxa.
Aurebela la la la la.

Coisa de Mar

Mar que bate e que volta
Carregante de corpo nu
Embriagado de céu e gritante de paz
Paz absurda de água imunda
Água de chuva e que cairá na rua.
Nasce
Morre
E vira
Mar.
Mas não é para acabar, é para aMAR
Ver olhos de espelho e se enxergar
Enxergar de si e de outros
Outrem e picolé de morango
Corpo ritmo de tango
Morro santo do mar branco
Límpido e bambo.
E choverá . . .
O corpo de se afogará
Praia de sol
De terra
e
De mar.