segunda-feira, 30 de julho de 2012

Órgão Genital

Órgão irracional.
Genital de prazer minuto
Gozou.
Acabou!
Pornografias giram em torno do mundo
De qualquer mundo
Mundo fechado de uma mente corporal
Pensante em corpos beijos sexuais
Lapidados endiabrados sem resquícios de amor
Rastro de calor para horas de pensamento
A vontade vai
A vontade dá voltas e volta
A madrugada do órgão genital
Tarados
Pervertidos amantes usurpando o corpo próprio
Engolindo outro sem poesia
Em prosa pura conversada
Pagas ou pagarás em suor frio.
Caminhando o século em ordens orgão genitais
A ditadura é severa aos amantes mal amados
Paga-te a traição
De um nó na cama no lençol usado
Sem você
Em outra era, outra estação
Então
Homem Mulher de comer carne
Amor abaixo da cintura
Pele lavada
Alma desbotada.

sábado, 28 de julho de 2012

Fascínio

Não pensei nas promessas de verão
Nem nos pássaros
A paisagem era bela
O vento cuidava o coração.

Os anos passaram em segundos de luz
A poeira cobre a cruz
Há quem se divirta
Há quem apite
Mas a pipa dança
E a preguiça pode até ser rica.

Não tenho medo de querer
De abortar os limites e ter prazer
Nunca canso dos malabares e de jogar as merdas pelos ares
Me trague e pouco fale
Serei teu bailarino
para fascínio.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Caçador

O coração acelerado como o tempo
Tudo parte de uma inutilidade grande
A boca traiu seu amo
que agora é vítima da noite
Rolando pela cama
Atravessando a mente
Se atormentando com a ponta de agulha da lembrança.
Jurei aniquilá-la
Ainda sou homem
O coração pulsa enquanto a correnteza não me leva
Me prende e espere que eu contribua às águas gotas a mais.
Mundo calabouço.
Presa do caçador
Me apanhou
Não era eu a espécie adequada
E me debandou na selva
Selva onde habito
Só em tempo
Sem fala.

terça-feira, 24 de julho de 2012

2 faces.

Eu tenho 2 faces
Retrógrada e vulcânica.
Ardo num tempo de fases
E com dentes afiados eu mordo a esperança.

Palavras grandes questionam
O meu discurso se intenciona
Ao ouvinte de ideia mundial
Espero o pulsar de um coração genial
E se o passado couber numa caixa
Eu retomo o cotidiano sem lembranças
Sem contar migalhas
provocando palavras insanas.

Amar é como ter sede
se enraiveço penetro na parede
Sem beber água
divagando no deserto vagabundo
Sem fala.
Tenho 2 faces
Retrógrada e vulcânica
Não me ofereça o manicômio
se não me couber o amor de seu interesse.
Engoli
O suspiro
Um dia desses
Me mando.

sábado, 14 de julho de 2012

Luzes Apagadas

Te sujarei de cores primárias
Quero que te faças coisa lembrada
Criatura sobrevivente do meu tempo
Sem renúncias e armaduras.
Distantes e distintos de marcas fartas
Enfartando-nos somente com corpos preenchendo o quadrado
Neste elo dois corpos descansam no mesmo espaço
Sendo um, zumbis, enfeitiçados, caracóis calados.
Luzes acesas dizem centenas de coisas
Não é o que precisamos neste momento inenarrável sem hora
Desenhado de honra preliminar.
Marcas esgotáveis passeiam em carroças
E se vão para as roças
Ou tomarem banho em lamas da cidade.
A esperança quitou os óculos
O manequim se vestiu de retalhos quando o poeta deixou de apontar os lápis
Calçados na modernidade de um século enfermo aventurando em si próprio
Sem se educar desde o princípio
Encontro você, veementemente aflito e decorado
As luzes apagadas não dizem
Impõem as cores
Nada declaram.
O luxo é um vaga lume que se aposentou  para a presença confrontada de seres amantes.
Apagadas
Luzes
Acesas
Cores.

Pequena Fruta

És do jardim prometido
Beleza rara profunda concebida ao meu instinto
Crescente em terras férteis de paz límpida
Arrisco-me à trivialidades por teu desdenho
Quando te acercas faço-me dengoso, assim, para que me banhes com teu mel
Desde que compareci a este cenário de uma peça desconhecida buscava por rotas
Tréguas jamais foram concedidas
Desviei caminhos outrores
Em passos largos complacentes, inundado de gente
Nada eras tu.
Provei de frutas deste mundo, mas alguma não concedia seu sabor jovem
Velhacas e terrenas de terrenos infertéis
Crescentes de modernidades
Apareceste tu, despida de fardos e cacos
Descalça
Castanha
Rara
Pequena fruta de sonhos vegetais, saborosa como o cair da tarde
Sem qualquer alarde
Atrai
Raparigas e rapazes
Margaridas e selvagens
Invada-me,  cala-me, fala-me tuas línguas
Inventa-nos verdades malabares.
Sujeitos a voar escondiDINHOs pelos ares.

domingo, 8 de julho de 2012

Palavras Confortáveis de uma Boca Feroz.

A boca se faz do rumo das ruínas roedoras.
Os beijos são reflexos do encontro de outra metade própria, nunca jamais encontrada, sempre, persuadida.
O enlace se consagra em diálogos interiores, um certo monólogo, para uma vasta compreensão, do que ser, de onde estar, de como possuir, para como aprender a abandonar.
Neste acontecimento, desta época onde sou consciente dos desejos, o ambiente provoca os lábios
O faz articular de acordo com suas regras, sejam maliciosas ou governantes
À passageiros ou amantes.
Lábios mestiços de inúmeras origens, mesclados, marinheiros, malucos molhados. A história se resume no diário perfeito, nada cabível com as horas corriqueiras, todos correm das palavras malabares.
Mas saber fidelidade é reconhecer que a verdade se encontra mergulhada na boca.
Conhecer mentira é selar um acordo com os ouvidos, a verdade ouvida purificada, se tornar restrita, fazer a mentira saltar da boca como um quebra cabeça.
Os bens escrevem a quem. Receptores de como qualquer que seja.
Palavras voam e chegam como tempestade, depois que o bem deixa de ser o bem amado. Por esta razão os ossos estremecem, o coração para e anuncia morte. Depois de noites mal vividas, a boca ressuscita. Os lábios gesticulam, todavia trêmulos, mas pedintes de carne humana, profana.
Não somente o amor, mas o tambor cotidiano provoca letra por letra, que ao final se fraseiam, e ferem saltando de uma fera ferida. Se estende o tapete vermelho, e o diabo cumprimenta seus tentadores.
Fala, Morde, Assopra, Assobia, Grita, Sussurra, Sussurra, Sussurra. Soa como falsidade, ou como ternura, dependente a quem por quem.
O imperador é um animal que aprendeu a falar.
O amante é o humano aprendiz de palavras verídicas.
Boca é porta de saída do inferno.
Palavras confortáveis cuidam. Palavras confortáveis de uma boca feroz queimam e ensinam a longo prazo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A crônica da Cabana.


Meus olhos se escondem na cabana. E perguntará você, onde se encontra a cabana?
Não podes saber, pois certamente não sei por onde vago, ou se pertenço ao espaço terreno onde habitas junto aos infiéis.
Sinceramente, a sinceridade deixou de ser sincera, enquanto a verdade deixou de ser severa, e nesse ciclo o olhar se martirizou, fornecendo-nos sua amargura, e caladamente os jardins se fecham. Seja o do Éden, seja qualquer outro, sem flores e outros animais.
Encontraste-me passeando, divagando sobre poesias empobrecidas, nada jamais no passado interessou-te, o perdão foi corroendo em si próprio, eu humano animal não poderia recriar mais, o esgotamento se fez em esgoto, onde me banhei, mesmo estando na cama, na rua, ou sentado no sofá absorvendo a solidão televisiva.
Neste momento o tratamento se converte em lhe, pois não posso mais referir-me a ti com demasiada intimidade, levou-me estranhamente por horas semanais, assim acostumei-me, e as horas não se convertem, correm, correm e correm inimigas do passado, mas presentes na lembrança do ontem.  As frases se preenchem de não, não se pode, não se refaz, não mortalmente vivo não, nunca quis que o oceano encaminhasse assim, desta maneira cruelmente pretensioso de lágrimas.  A balança desequilibrou-se , a mulher bebeu a justiça. Embriaguei-me de pensamentos decorosos,  loucamente sensatos, agora comerei um prato frio para agradar a alma, mantê-la na calma. E questiono a ti, todavia forneces alimento a tua alma?
Nunca conheceste o tempo, o vivemos, o passamos sem obedecer a sua glória. Jamais quis curar-me de certos momentos, pois agora vivo o tempo da razão, e de tanto muito vivido a paciência invadiu-me, e fui fortemente reerguendo os dedos para massagear ombros meus, aconchegar-me, sem machucar-me. 
E se o mundo acabar estarei preso na caverna das indagações , conhecendo a mim sem amor, cuidando os passos sem rancor, amamentando a mente em paciência. E se um dia compreenderes na calma, chame a mim para um passeio, mas para falar-me sobre tua nova alma, espero que dançante, aprendiz de saber o amor.
Aguardo as energias do mundo para que penetrem em meus olhos. Olhos por dizerem.