sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Adão e seus passos.

Eu escrevi:
De nada me serve um coração.
Estou louco
Meu refúgio é o casulo. Casulo de meu corpo vertebrado contestado no chão.
Agora sussurro:
O amor me corrompe. Traça suas curvas torturando cada veia.
Me emprestando a velhice
Causando rugas
Dormência nas mãos
Quietude das palavras imensuráveis.
É um homem que sou. É por instante uma mulher que me habita.
Sensibilidade comparada a estrume e divagada em pernas que não tremem e por estes par de íris que arborizam, levam mar, fazem oceano e jamais afogam em esfera um coração mundano de certos outros.
Adão
Seus passos até aqui.
Paraíso, desordem, um pouco de pecado.
Estendi a mão:
Leu-se seus descaminhos por entre caminhos
Adão despido.
Eu despido
O amor em trajes épicos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Atua-te. Atua-me.

Um pedaço de filme sem revolução. Acabado. Excomungado. Desenfreado.
Observando o próprio prazer desconjunto falecendo em próprio peito, pois tudo é verdadeiramente meu.
Naquela era em que morri, morreu um céu, morreu uma terra. Uma praga invadiu e se fez só.
Estranhamente em pele encardida, lavei roupas, abandonei os anéis, mutilei o próprio órgão abortando o prazer de carne gozada. A ressurreição ejaculada em linha à morte enferma mansa.
Típico rapaz do sertão. Completo de modinha. Moído em palavras. Ventando como som expulso de seus tecidos.
Agora é somente uma bebida. Um devaneio. A estrada perigosa em face a olhos costurados em livros e na certa bíblia de lei própria. Suas desordens. Seus contatos. Pecados martirizados em luto, reconsciência em martelação ao erro.
Nasceu a droga e caminhava um certo rapaz, dividido sexualmente, onisciente da consciência má, mas era correto o seu jogo, a sua santa. Seus dedos caracterizados eram válidos até nascer o amor.
Atuei-me e morri de dor.
Jamais amor cresceu. Só soube de minha carne, sendo carne apodrecerei e as moscas farão festa, festa.
Era um rapaz típico. Era um moço. Era um velho eu em sementes separadas, dispostas em terras, inférteis num pobre pequeno lugar.
Soube de mim campo. Fez de mim mito popular. Caçou-me incessantemente, na cidade eu era animal, genial.
Era um moço de trágicas idades compartilhadas ao clima. Parado em seu sinal amando um amor ingrato. Reascendendo velas apagadas. Moço procissão de misérias e promessas. Buscou-te. Ameaçou-te em consciência pura. Matou-te em fantasia. Tanto vivido de amor, entre dois amoralmente desperdiçado.
O velho eu malandro de campo minado, o sujeito ferido de várias estrelas. Pedinte de cometas. Disfarçando comeres, planejando dizeres.
Embriagado, embriagando, achatado, gastado e furiosamente novo. Ele nasceu. usurpou-se
Provou do mel, adoeceu-se do veneno. Velho flor em andanças de fragrâncias complementares, desta terra aqui, deste lugar de lá. Da Amazônia contradição, do deserto insensatez.
Atua-te sem províncias. Atua-me descaradamente
Mandato tropical de arranjos novos, quereres constelares, dizeres suaves. Cara nova, tam pouca idade.
Adormecido num velho boi negro.
Feito diamante nos braços e alguém inexistente no real severo.
Atua-te. Atua-me
Despe-me como Bethânia.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Crônica Secreta sobre Príncipes e Lobos.


Você é o encontro inesperado do mais antigo sonho. Teus olhos se aprofundaram nos meus numa noite qualquer.
Qualquer leveza das mãos era indício de afeto. Qualquer dedo faminto e aprisionador indiciava vontade, quis conversar sobre o tempo e suas desestruturações, sobre você e a evocação de suas ideias.
Porém teu corpo era presente, quase que por impulso não poderia controlar. Os lábios pediam mais cascatas de hormônios, mas a intensidade das palavras martirizavam.
Volta de Flores. Olhos de mel.
Doce envenenado que deixaria marcas, letal, proveniente do instinto animal, e me transformei em bicho para não morrer. Lobo talvez, para ser ardente. Inconsequente. Trovador. Me dominou e me certifiquei de minhas outras vidas.
Chega! Não! Chegue o príncipe, arrastado, queimado e suplicante. Me arrebate! Arranquei a punho firme meu coração, pulsante, em batidas velozes. Tome para teu mundo, esconda abaixo de teu travesseiro.
Não suportei os dias, sou animal, invada minha selva, vou bater às portas de teu reino, completamente despido, arranhado e pedinte. A pedir que me banhe, que me trate como jóia rara. Parte integrante de teu mundo dourado. E me beijes, e beijarei a ti até que lábios teus sangrem.
A gente se cuida a ferida.
O teu reino me abriga e o tempo vence. Vence como relâmpago, e ao encostar a cabeça, e quando os braços se fecham em teu peito. E o corpo vira parte de mar. Concha bela perdida na areia que é a estrutura de toda a beleza marítima, e desperto por um minuto para prensar e realçar o dourado da concha.
O príncipe que principia a paixão fixa e fervorosa. O lobo que uiva calmamente para o encontro.

sábado, 8 de setembro de 2012

No dia em que apaguei as Luzes

Traição.
Esconde a mim ao encontro de ti. Tinando a linha para o encontro de poços fundos, eu mais você.
Desespero em teu fardo na obscuridade de não se enxergar,  marmelar, mistificar. Descaracterizado, ao meu corpo inteiramente enfrentado.
Gente  demais em muita luz, demasiada cruz
Ao mundo que se seduz e não nos permite estar nus.
Moscas enfeitadas em ronda ao café, tome a fé
Mergulhe o teu pé no meu solo, meu barro, meu espaço.
Cale-se em obediência ao corpo
Em conversação da alma
Beije-me maravilhosamente sem tempo e sem antecedente.
Deslize a palma sobre minha cor
Neste escuro, feito incolor.
Torpor. Despido de roupas, trouxas, bruxas foscas. Acalantos. Calma boa
A bagagem têm seu peso e deixe-a distante de nós. Nós nos convém, que se venerem e nos prenda, sem prenda.
Toda flor
Palavras imensas.
Massacrando em degustação de não luz. Sem prece. Vida breve.
Romance malabares
Ser outro no depois, o agora é um, sem amanhã ser dois
Invada-me
Fala-me
Santidade à minha devoção.
No dia em que apaguei as luzes ofuscamos as estrelas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

No tempo em que fui Mar

Fui canção da civilização em um nascer de vida longa.
Nas águas remotas clareando a areia no passo de borrar os escritos passados.
Noite ancestral no ritual das cabeças pensantes, seus corpos endiabrados desnudos em mim, meramente água deste mar, bom, mar.
Dia astral ao lamber seus dedos cansados, lavanda e lavados, à cerca dos peixes e de qualquer vida afogada na profundidade de mim
Barquinhos e constelações em pesca ou refúgio
Descobrimento ou simples penetração de minhas leves ondas
E se chove são nefastas as lamúrias de minhas faces obscuras águas para um céu gris e pouco abençoado
Para sempre no passado presentemente no banhar do futuro. Inundo vivamente em prantos as mesquinharias terrenas.
Desdenhando a lua. Silêncio! Pausa na montanha de fala
Estou amamentando por meu seio imensidão o naufrágio que é ser vida, virá a ser vida, em prazer vida.
Morrem os desgostos e nascem as nadadeiras
Aproxima-se a hora do sol, de meu amado refugiado, acalentando-me com cores vivas e ilusoriamente amarelas
Ele veio  beijar a mim, em meus mil lábios escondidos na transparência de minha pele água.
Surge o novo sem ideia e centenas de carnes reprimidas se banham em mim. Vá Sol!
Exausto estou e farto de visitas vazias. Se furioso me encontro, meus dentes ondas mordem suas colunas vertebrais.
Sujo me encontro no agora, são os tais sentimentos podres que caem sobre o eu ser mar nesta época
No tempo em que fui mar
Não sentia sede
Sensações diversas desaguavam em mim.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ensaio da Conquista.

Laços e pés descalços
Jeans em retalhos
A lágrima rola pelo rosto
Ardendo a lembrança do viver novo
Cai a noite
Quando as estrelas frouxas brilham para outro moço.

Olvide as regras
Cuspa no chão de quem roga por elas
Deixe o amor esquentando na panela
Imaginei ser teu bem
E por horas ser teu mal
Não digo aquém
Nasce um querer intencional.

Não responde
Não responderá
Uma mensagem
Uma ligação para constar
O ensaio da conquista não te quer libertar
Somente como  você está
Frase em que o coração não deve mergulhar.

 E se eu for
Para horas passadas não alimentarei.
Ofereço uma lei
Num olhar inóspito te encontrarei
Sou qualquer coisa
Uma paixão desenfreei.





quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Essência Barata.

Sensivelmente compreendido na rua.
Questão pela qual caminho descalço no asfalto cru.
Precedo um ser contaminado já constante no eu de ser somente a mim.
Eu sou a guerra.
Eu sou a aniquilação.
Noites cobertas já não sobrevivem em minha janela de rua.
Burburinhos. Algazarras em meus dedos de carne humana.
Profundamente afogado em insensibilidades de dentes ferozes.
Jamais leia minhas palavras compostas de poesia.
Fazem mal ao tal coração.
Umas cartas foram escritas, letras foram traduzidas pela mente. Erroneamente.
Letras manuscritas pertencem a cavidade vulcânica do coração.
Nada é demasiadamente jovem para flores. Tudo é desesperadamente influenciado por brotar de amores ardidos.
Em bandejas.
Pratarias.
Velharias.
Cristal que se rompe. Delicadamente acabado.
Existir é caro para estrangeiros nacionalizados nesta terra de frutos podres, explicavelmente, a essência deixa de ser perfume, se revelando em estrume.
Moscas.
Moças.
Chega de roupas. Apresento a essência barata de ossos meus artísticos e desequilibrados.
Danço, mas, não sei dançar.
Minto, mas, não sei mentir.
Existo, mas, essa verdade é pura solidão.
Amo, para a etiqueta, uma tragédia.

domingo, 26 de agosto de 2012

Confissão para que Confesses

Sei somente desta vida e por sorte dos ancestrais
Eles me dizem, eles me retrucam, me disfarçam. De algum século passado
Século presente e refinado em qualquer porta, fechada.
Tenho um par de olhos enxergando além do físico. O que dói causando espanto.
Os homens, as mulheres, os animais. Voam para uma caçada. Param para o ranger do coração.
E neste instante inconstante as palavras mergulham na porta de tua casa
Provenientes de vários de mim por tempo. Por espaço. Por paixão aquecida.
Frente a frente não posso lhe dizer. A ética da nova era não me permite
Mas se decidir sonhar e navegar nos braços de horas passadas volte o século
Passos retrógrados e viveremos o romance experimentado em ardor, puramente quente numa palha prestes a incendiar por nossos corpos estalando. Estalando. Cozidos amavelmente.
No âmago da consciência percebo que não és quem proclamaria ser.
Um dia mais passou, fugi, você fugiu e fugimos de nossas tentações.
Disse-me de três paixões buscantes de meus dedos. Não sei, nada perguntarei se consta tua face.
Queira-me para um viver duradouro dourado
Sejamos um romance teatral.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Roubos

Desfaça-se o caso
Das coisas sórdidas
Um tempo desconsolado de disfarces
Serestas sérias em mentiras ordinárias.
Possuo olheiras de centenas de noites mal sonhadas
Sonhos em salas distantes
em índios conhecidos
em amores fugitivos. Algo que nunca me pertenceu.
Cansado de pés e de pernas
De dentes e de bocas
Loucuras e santidades.
Exaustando e exaltado em um personagem parado
Congelado na caixa de fósforo
Sem relógio. Roubaram a bússola. A auréola. Os sapatos. As pegadas.
O coração.

domingo, 19 de agosto de 2012

Pose de Retrato.

Beijos melados
pose de retrato
dois seres num cenário.
Sol na cama
afogados na lama
Ouvindo o som
do ranger dos dentes
Crescente chama
Fatal para dois inocentes.

Depois a hora acorda
E os olhos abrem
Me engana a memória
Se teu corpo é verdade ou história.
Digo palavras flores
Não quero me entregar
Para teu pensar
Serei distante.

Me lave no romance
Conte as pedras
Obedeça as chances
e reconheça as libélulas.
Vou escrever uma carta
Contar para ela
De você. Da miséria
Começa a novela.